Livros sobre feminismo

Postado por Livraira Eldorado 17/07/2019 0 Comentários Blog,

Livros sobre feminismo

 

O movimento feminista tem ocupado um importante espaço no mundo e crescido cada vez mais.  É importante dizer que a sua história sobre a luta e igualdade da mulher é extensa e mesmo com esse crescimento sabemos que ainda existe muita desigualdade de gênero.  A filosofa, escritora e ativista, Simone de Beauvoir escreveu a frase que virou uma máxima no movimento feminista: “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher”. Para a filósofa, nenhuma de mulher nasce ciente do lugar que ocupa na sociedade e muitas acabam morrendo sem sequer saber que pode ocupar todo e qualquer espaço. Compreender o que significa culturalmente ser homem ou mulher se aprende de inúmeras maneiras – independentemente do gênero com que a pessoa se reconheça. Tanto nos ensaios filosófico-existencialistas da escritora francesa quanto em obras ficcionais, à literatura e os livros sobre feminismo podem ser uma dessas portas para a percepção.

 

A História do Feminismo

 

Muita gente pensa que o feminismo é sobre dominação feminina, mas não, o feminismo é um conceito que surge no século XIX, o qual se desenvolveu como movimento filosófico, social e político. Sua principal caraterística é a luta pela igualdade de gêneros, e por consequência, pela participação da mulher na sociedade. É importante lembrar que grande parte da nossa cultura está alicerçada numa sociedade patriarcal, pautada na dominação masculina. O home sempre foi considerado o membro mais importante da família e desde muito tempo tem sido o foco principal. Ele é aquele que possui privilégios em relação às mulheres, chamadas de “sexo frágil”.

Na Revolução Francesa de 1789, a “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”, escrito no ano da Revolução, foi combatida pela “Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã”, escrito pela feminista francesa Olympe de Gouges em 1791. No documento, ela criticava a Declaração da Revolução, pois era somente aplicada aos homens. Além disso, alertava para a autoridade masculina e a importância das mulheres e da igualdade de direitos. Por essa razão, a revolucionária foi morta em Paris, dia 3 de novembro de 1793. No entanto, sua morte, que foi considerada um marco do feminismo no mundo, fez surgir diversos movimentos feministas posteriores. Foi a partir da Revolução Industrial no século XIX, que esse panorama mudou de maneira substancial. As mulheres já começam a trabalhar nas fábricas, fazendo parte da força econômica do país. Assim, aos poucos, os movimentos feministas espalhados pelo mundo foram tomando corpo e cada vez mais lutando e conquistando diversos direitos reivindicados pelas mulheres. Nas culturas ocidentais, o movimento feminista passou a adquirir maior visibilidade a partir do século XX, Em épocas mais distantes seria impensável ter uma presidente mulher governando o país, ou mesmo, figuras femininas atuando e se consagrando em diversos campos: culturas, artes, economia, política, etc.

 

A importância da literatura no Movimento Feminista

 

A filósofa francesa já citada acima, Simone de Beauvoir foi uma das maiores teóricas e representantes do feminismo mundial. Sobre o assunto, sua obra de referência é o ensaio intitulado “O Segundo Sexo” (1949), onde faz uma análise sobre o papel das mulheres na sociedade. São tantas as informações sobre o tema que é preciso calma para entender bem o assunto e evitar reproduzir ideias erradas por aí. Para entender melhor sobre o que é o feminismo, é necessário mergulhar de cabeça em obras escritas por mulheres. Conhecimento é uma forma de se empoderar. Para você entender mais do tema listamos livros sobre o feminismo que são fundamentais:

 

O segundo sexo – Simone de Beauvoir

 

 

Simone afirma nesse livro que a mulher não é o “segundo sexo” ou o “outro” pelas razões naturais e imutáveis, mas sim por uma série de processos sociais e históricos que criaram esta situação. Toda a sua argumentação é sobre o questionamento da existência do chamado “eterno feminino”, visto pela sociedade como algo próprio a qualquer mulher e que as prenderia a uma gama restrita de características e, principalmente, limitações. Com isso em mente, a autora passeia pelas mais diversas áreas do conhecimento em busca de argumentos, com sucesso estrondoso e coerência inquestionável. A primeira parte do livro leva o nome de Destino e traz três pontos de vista importantes: o ponto de vista biológico, o ponto de vista psicanalítico e o ponto de vista do materialismo histórico. Simone argumenta com extrema coerência e lucidez, ainda mais se considerando os dados que tinha em mãos à época, para expor seu ponto: não há justificativas para que a mulher seja de fato uma “casta” inferior ao homem.  “História” é o nome da segunda parte, e aqui vemos mais um trabalho de pesquisa extenso e de qualidade feito pela autora. Desde a Antiguidade, passando pela Idade Média e chegando aos tempos em que viveu, ela passa por todos os aspectos relevantes e necessários para entender como a mulher ocupou uma posição tão diferente da do homem na sociedade. A terceira parte se dedica aos mitos. O primeiro capítulo disseca mitos mais comuns e é mais interessante e relevante do que os que se seguem, que examinam autores específicos e acabam por ser um pouco mais datados do que o restante do conteúdo do livro (no sentido de não serem mais tão relevantes). Simone examina com muita habilidade as obras, mas trata-se talvez de uma análise que precisa ser sempre recriada com os clássicos de cada época, tendo ficado já um tanto superada.

 

O mito da beleza – Naomi Wolf

 

 

Publicado no início da década de 90, O Mito da Beleza trás referências próprias do período. Esse livro foi publicado em uma onda de anti-feminismo percebida já na década de 80, e como esse movimento impactou no julgamento social das mulheres. O mito da beleza diz respeito a essa “verdade” cultural que cerceia a liberdade feminina. Trata-se, por exemplo, da história que conecta a beleza, dentro de padrões estritos e ocidentais, ao sucesso e à felicidade, desse modo, condiciona o modo de viver da mulher, mas também do homem em certo grau, de forma que ela não consiga se libertar das amarras patriarcais. Portanto, na medida em que as mulheres alcançam maiores poderes em determinados âmbitos, são acorrentadas por certezas invisíveis em outros. Se já não podem ser igualmente controladas pela maternidade, o que lhes impedia de alcançar o mesmo patamar de poder que os homens, são, então, controlados pela necessidade de preenchimento de requisitos de beleza quase inalcançáveis. E gastam tanto tempo nessa busca, que passam a ignorar a busca por contrabalancear o poder.

 

Clube da luta feminista – Jessica Bennet

 

 

Este livro é um guia bélico e sarcástico para sobreviver ao machismo corporativo, num formato parecido com aqueles manuais de condutas e cartilhas empresariais que recebemos quando somos contratados, sabe? Enquanto as condições de trabalho para homens e mulheres não são as mesmas, o Clube da Luta Feminista deveria fazer parte desse tipo de material para recém-ingressas no mercado de trabalho. O que fazer quando um colega leva crédito pela sua ideia? Como calar aquele homem que se sente no direito de sempre te interromper? Seus colegas homens trabalham menos e são mais reconhecidos? De questões assim, nasceu esse manual ilustrado. Com alusões ao famoso livroClube da Luta de Chuck Palahniuk, a jornalista Jessica Bennet ensina como criar o um clube, onde se reunir, do que falar, o que fazer, como pedir aumento e até qual “cerveja de mulher” tomar , que poderia ser qualquer uma inventada por uma mulher.

 

Fome – Roxane Gay

 

 

Muito cedo, aos 12 anos, Roxane Gay sofreu um estupro coletivo. Ela manteve o abuso em segredo, e para lidar com esse trauma horrível, passou a comer compulsivamente.  Nesta autobiografia escrita com uma sinceridade impressionante, a autora fala sobre como passou a utilizar seu próprio corpo como um esconderijo contra os seus piores medos, por anos Roxane guardou sua história apenas para si. Até conceber este livro. Fome é a autobiografia de uma mulher obesa que narra como é a vida quando se tem um corpo que todos se acham no direito de opinar, um corpo que luta para ser aceito pelos outros e, acima de tudo, por ela. Esse livro fragmentado por episódios e temas é uma tentativa de comprovar que sua autora é mais que a apenas a unidade de um corpo.

 

Sejamos todas feministas - Chimamanda Ngozi Adichie

 

 

Nós temos uma resenha aqui no blog sobre esse livro que é um livro curto que foi baseado do discurso da autora em uma conferência do TED que teve mais de quatro milhões de visualizações. A leitura é rápida e fluida, mas não é nem um pouco rasa. O livro aborda o feminismo não apenas para as mulheres, mas para todos e é um excelente livro para a introdução ao movimento feminista.  O livro começa contando o primeiro contato da autora com o termo feminista e como isso foi colocada para ela de forma negativa e estereotipada. Durante seu discurso ela vai dando argumentos para provar que todos os pontos negativos sobre o feminismo não são reais e que o feminismo é a busca por direitos sociais e políticos iguais para mulheres e homens. Leia mais sobre ele na nossa resenha clicando aqui.

 

Os homens explicam tudo pra mim – Rebecca Solnit

 

 

A autora começa o livro narrando um caso verídico que aconteceu com ela, culminando a origem do termo mansplaining, ela diz que durante uma festa que ela foi com sua amiga, um homem puxa assunto sabendo que ela é autora, mas deixando claro seu desinteresse quanto ao seu trabalho. Então este homem todo entusiasmado começa a contar para Rebecca numa espécie de monólogo em vez de uma conversa saudável sobre um livro que ela DEVERIA LER, porém o que ele não sabia, pois interrompia incessantemente qualquer tentativa de diálogo de Rebecca, é que ele estava falando diretamente com a autora do livro que insistia em mencionar que ela DEVERIA LER. E o mais infeliz de tudo é que casos como esse são mais comuns do que imaginamos. A ideia da autora é refletir como uma “simples” interrupção do poder de discurso de uma mulher, pertence a toda uma cultura de silenciamento e anulação da existência das mulheres, que culmina em casos mais extremos de violência misógina, como agressões e posteriormente, feminicídios. Rebecca nos mostra como a anulação do poder de fala de uma mulher é algo sistêmico. Em Os Homens Explicam Tudo Para Mim, a autora conta que apesar de ter recebido o crédito por ser a inventora do termo mansplaining, ela deixa claro que não criou essa denominação, surgindo posteriormente à publicação do seu ensaio. Antes de escrever o ensaio que deu origem ao termo, havia um site chamado Academic Men Explain Things to Me (Os Homens Acadêmicos Explicam Tudo Para Mim) onde centenas de mulheres que trabalhavam em universidades contavam suas histórias, como eram tratadas com paternalismo, interrompidas constantemente no meio acadêmico. Fica claro que dependendo do meio onde a mulher se encontra como a universidade, nesse caso, trata-se de um local onde há a propagação do ensinamento e aprendizado, porém pode ser um local extremamente hostil e silenciador para as mulheres, através de um senso de uma superioridade intelectual atrelada ao machismo estrutural pelo qual esses homens se expressam.

 

E aí, conseguiram entender mais sobre como esse movimento é importante e o quanto os livros sobre feminismo nos fizeram evoluir em sociedade através dos tempos?

 

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